quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Quimera

No fim das contas, a vida é uma verdadeira quimera.
É sim, nós vivemos com tanta intensidade e vontade, buscando glórias e amando deuses, reivindicando notícias, estudando o inexistente, escrevendo cartas de amor (umas a gente manda, outras a gente finge que manda, outras a gente guarda) e queimando as dos perdidos, criando idéias e negando dons. E nunca se sabe o que virá porque não haveria graça.
Eu só gostaria de deixar claro que o seu acervo não caberá naquele caixote de madeira quando, enfim, você descobrir que a vida não é uma quimera. Por isso, meus caros leitores, ame mais ser do que ter.


Quero desejar, antes do fim, para mim e os meus amigos, muito amor e tudo mais.
Que fiquem sempre jovens e tenham as mãos limpas e aprendam o delírio com coisas reais.
Não tome cuidado. Não tome cuidado comigo: o canto foi aprovado e Deus é seu amigo.
Não tome cuidado. Não tome cuidado comigo, que eu não sou perigoso:
- Viver é que é o grande perigo!
Belchior - Antes do fim

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Edinalvo

Frente a mim senta um rapaz um pouco egocêntrico. Nada contra sujeitos assim, até porque a personalidade, além de pessoal, precisa ser o ponto de partida para a visão que o indivíduo tem em relação às coisas, mas o egocentrismo dele é alarmante. Já virou um vício por ele ainda não notado.
Bom, mas não era sobre isso que eu gostaria de escrever. O assunto que me trouxe aqui é a frase mais comum vinda dele: "- Tudo é uma questão de ponto de vista!". Ele afirma isso com uma definição única e se mostra sempre seguro caso alguém o rebata. Entretanto, eu acho engraçado que para qualquer discussão essa seja a afirmação mais pertinente que ele faz. É muito fácil ter uma frase definitiva para cessar com argumentos alheios. E a partir daí o seu tal egocentrismo se aflora como nunca, pois, ao dizer que tudo é uma questão de ponto de vista, ele simplesmente dá o dele. Pronto, ninguém mais tem chance e ele é o grande vencedor.
Eu gosto de olhar por cima porque sempre o vejo sair como o grande entendedor, o mestre das obras acabadas, a formosura em pessoa, a integridade cultural em carne e osso.
Só depois que ele sai a sua máscara se encontra ao chão. Todo mundo o acha um metediço de baixa categoria.
E ele volta sorrindo.