Sou o mesmo de ontem mas me falta aquela liberdade de antes.
As crianças que hoje correm pelo parque não podem se dar conta de que esse é o momento mais suave.
Em mim persiste uma velha pergunta:
Por que tudo um dia cresce e parece que apodrece?
E eu que costumava tanto ouvir:
Aproveite, que isso logo adormece!
Mas, naquele tempo eu não ligava pra esse tipo de frase.
Talvez eu esteja um pouco equivocado quando penso que esse mundo anda pro lado errado.
Só que isso não me importa nessa hora.
Eu estou sozinho no meu quarto escuro e ninguém me dá motivos para sair daqui agora.
Se eu pelo menos pudesse sujar a parede com uma bola de meia para espantar o sufoco que não mais me surpreende.
Acontece que hoje a casa é minha e eu não quero ter que limpar a sujeira que me pertence.
Apesar do desespero que corrompe,
Eu tenho medo de voltar para o que era ontem.
Já não sei se isso é coisa sobre-humana ou se somos mesmo diferentes das crianças...
Que nos invejam a bondade.
E por alto, ainda não aprendi o que é saudade.
Só aprendi o que é chegar em casa tarde, depois de passar o dia fora.
Fora do meu próprio espaço.
Ausente do que quero e demora.
Demora muito pra eu nascer criança
E nem tanto pra eu perder a esperança.