Fim de folia e carnaval. Música baixa, mínima agitação, repouso aparente em nossas mãos suadas de medo. Chegou a hora do teu silêncio falar mais alto.
O segredo que carregamos por dentro, sempre oculto e misterioso, é o que causa essa insanidade imensa. Caminhar nem sempre é o que se deve fazer quando essa angústia de si próprio não se transformar em verdade e certeza. E então o silêncio fala por nós como um conselho matinal de pai e mãe... Mas agora é solidão. É como se você fosse um ser explicitamente taciturno e esse sentimento de consternação te tornasse tão você quanto não.
Como uma frase poeticamente insinuada: "Me sinto tão só e dizem que a solidão até que me cai bem". Na verdade ela faz bem sim. Porque "os dias que eu me vejo só são dias que eu me encontro mais". A solidão faz sentido no silêncio. Ela aflora e nos deixa em nós, nus e sãos.
Você, que gosta do silêncio dessas folhas de árvore se mexendo, da tua consciência pensando mais do que o ego, do teu coração pulsando com mais delicadeza e simplicidade, é só deixar sair a voz que brota desse estado de tranquilidade típico de quem está só.
Sim, o silêncio parece ser solidão, mas só quando em texto.

