quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Um poeta igual ainda não nasceu

A vida da gente é mistério.
A estrada do tempo é segredo.
O sonho perdido é espelho.
O alento de tudo é canção.
O fio do enredo é mentira.
A história do mundo é brinquedo.
O verso do samba é conselho.
E tudo o que eu disse é ilusão.










Eu amei estando só.
Portanto, a solidão não é demais.










Mente ao meu coração mentiras cor-de-rosa
Que as mentiras de amor não deixam cicatrizes.
E tu és a mentira mais gostosa de todas as mentiras que tu dizes.







Olhar vazio, nenhum sinal de emoção.
Não quero você assim!
Eu sei que não existe mais aquilo que você guardava.
A mesma palavra querendo explicar a eternidade em mim.
Não quero você assim!
Não importa mais o que foi perdido, importa apenas o teu sorriso, e nada mais.
Não há lembranças para se guardar.
Existe a vida e os poetas, como sempre, no vício das esquinas.
Não importa mais o que foi perdido, importa apenas o teu sorriso, e nada mais.
Bom é sentir esse amor em muitos corações.
Bom é saber que a solidão é o início de tudo.










Quem quiser que pense um pouco.
Eu não posso explicar meus encontros.
Ninguém pode explicar a vida num samba curto.










A razão porque mando um sorriso e não corro é que andei levando a vida quase morto.
Quero fechar a ferida, quero estancar o sangue e sepultar bem longe o que restou da camisa colorida que cobria minha dor.
Meu amor eu não esqueço, não se esqueça por favor que eu voltarei depressa, tão logo a noite acabe, tão logo esse tempo passe para beijar você.










Silêncio por favor, enquanto esqueço um pouco a dor no peito.
Não diga nada sobre meus defeitos.
Eu não me lembro mais quem me deixou assim.
Hoje eu quero apenas uma pausa de mil compassos para ver as meninas e nada mais nos braços.
Só este amor assim descontraído.
Quem sabe de tudo não fale, quem não sabe nada se cale. Se for preciso eu repito.
Porque hoje eu vou fazer, ao meu jeito eu vou fazer, um samba sobre o infinito.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Sobre brasilienses

Brasilienses são como animais envoltos de casco duro e ríspido. Em meio as críticas e referências vindas das outras cidades no sentido político do caos, as pessoas daqui são vistas como meros contribuidores da sujeira - para não dizer uma palavra bastante pior - que passa como retrato pela televisão. Sobre nós, brasilienses apaixonados, o sol quente e o tempo úmido deixam parecer pálido o rosto. É nessa hora que denotamos a imagem mais sombria e severa. Um rosto carregado de preocupação e indelicadeza nos leva a crer que somos iguais em nossas diferenças mais extremas, do vendedor de balas de doce ao vendedor de balas projéteis de arma de fogo, de mim ao pássaro do cerrado, todos tão secos no olhar quanto molhados nas lágrimas dos oprimidos debaixo das pontes mais caras do país.
Um povo estranhamente moreno, cultuado, cultural no sentido lato da palavra. Somos tão temperais. É do feitio mais puro não aceitar tudo, todos, quanto, como e por quês.
Brasilienses triviais que espantam e afastam turistas tão interessados na arquitetura de nossa gente, de nossa mente e nossas praças.
É porque nós sempre fomos ensinados a odiar quando dizem que Brasília é a culpa de tudo que é ruim por aí e que, por aqui, não existem esquinas. Essas certezas sem embasamento teórico, prático e espiritual bem que poderiam sem efêmeras. E nós, candanguinhos por opção, ou não, só queremos o público, o concurso, a dita vida mole e a continuação dos descaramentos político, econômico e não-social que aqui se instalaram.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

A gente, humanamente ser


A gente deveria ser mais humano e sensível, se é que podemos ter essas duas características num corpo só. A gente deveria notar mais vezes a beleza de uma manhã musicada com afinados cantos de pássaros do cerrado. A gente deveria ver a cidade como uma junção de centros, idéias e vidas. A gente deveria pensar mais na gente, afinal, eles não pensam e nem fazem por nós.
E se o ar é pouco e a sacada é muito alta, evite se trancar no quarto. Experimente fazer um avião de concreto e tente voar.
Se nada disso bastasse, não existiriam os sonhos.

A gente deveria ser menos humano e sensível, para deixarmos a razão tomar conta dos nossos passos. A gente deveria notar mais vezes a beleza de uma noite iluminada pelas infinitas estrelas que nunca conseguimos contar. A gente deveria ver o sertão como uma junção de esperança, trabalho e alguma outra coisa que não sei dizer agora. A gente deveria pensar menos na gente, afinal, mesmo que pensemos demais, os fatos quase sempre são os mesmos.
E se o ar é muito e a sacada é baixa, evite pular daí de cima. Experimente descer as escadas com rapidez para testar o seu talento de maratonista amador.
Se tudo isso bastasse, o mundo seria como é atualmente.

Um dia escrevi que...

Quando me resta o desespero, mergulho nos segredos que um dia confiscamos.
Sobre as páginas lacradas do meu interior, guardo as frases que relatamos.
Quando me invade o aconchego, fecho os olhos para mais um sonho protagonizado por nós.
Sobre os clichês deste mundo, continuo com a velha opinião feroz.
Quando me volta o sorriso, é porque retornou sua presença.
Sobre os passeios vividos, a mesma lembrança.
Quando me penetra a saudade...
Ah, a respeito disso não sei dizer.
Sobre o meu olhar cativo, as lágrimas insistem em descer.
Quando me vejo sozinho, conheço de perto a solidão.
Sobre as cartas que escrevi, muitas ainda virão.
Quando me bate a angústia, aperto as linhas da agonia.
Sobre a aflição, sei que terei todo dia.
Quando me falta uma palavra, invento um dicionário.
Sobre sua imagem, o único escapulário.
Quando me entregam o guia, sigo o seu caminho.
Sobre os passos que dou, nosso destino.
Quando me decifro por inteiro, percebo a ausência da tua parte.
Sobre as coisas que fiz a mão, uma modesta arte.
Quando me encontro, deixo o sentimento falar mais alto.
Sobre a razão que tenho, não tenho mais quando você é o fato.
Quando me escondo, sempre deixo pistas para a sua busca.
Sobre as formas de carinho, a maneira mais justa.
Quando me surpreendo, você é a surpresa.
Sobre as músicas, nada mais além de sinceras letras.
Quando me encho de medo, lembro que você também o tem.
Sobre minha boca, o gosto doce que te mantém.
Quando me inflama o amor, fico sem resistência.
Sobre o meu coração, a tua existência,
E nada mais.

Perguntas mais frequentes


Sempre te disseram o que fazer, como agir em determinada ocasião, com que palavras conduzir uma reunião, ensinaram como aprender, como pensar e escrever os melhores textos, com quantos dígitos se forma um bom número e como ser o que eles sempre quiseram que você fosse.

Na escola você sempre aprendeu a responder, a resolver problemas matemáticos, a copiar desenhos, a pintar com as cores mais usuais, a entender a história descrita naqueles livros cheios de gravuras, a fazer as experiências químicas que são como manuais para um bom resultado e, além de você ter sido obrigado a frequentar as aulas perversas de ensino religioso, você sempre ouviu que aquele era o melhor lugar do mundo.

Você é ignorante ou, se quiser, um pobre coitado, porque jamais foi estimulado a perguntar, indagar, reivindicar e formular questões pertinentes. O seu hábito de gravar em vez de entender, faz pobreza do seu poder de argumentação. Descobriu-se que é mais fácil aceitar o que os outros dizem, como dizem e te empurram a informação do que, diante de uma situação, contestar o que se vê e ouve.

Vire-se, você que foi ensinado a responder e não perguntar.

É hora de interpelar! E que não sejam as perguntas mais frequentes.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Para reflexão


Sempre fomos analfabetos na leitura de imagens.