terça-feira, 9 de outubro de 2007

Sobre brasilienses

Brasilienses são como animais envoltos de casco duro e ríspido. Em meio as críticas e referências vindas das outras cidades no sentido político do caos, as pessoas daqui são vistas como meros contribuidores da sujeira - para não dizer uma palavra bastante pior - que passa como retrato pela televisão. Sobre nós, brasilienses apaixonados, o sol quente e o tempo úmido deixam parecer pálido o rosto. É nessa hora que denotamos a imagem mais sombria e severa. Um rosto carregado de preocupação e indelicadeza nos leva a crer que somos iguais em nossas diferenças mais extremas, do vendedor de balas de doce ao vendedor de balas projéteis de arma de fogo, de mim ao pássaro do cerrado, todos tão secos no olhar quanto molhados nas lágrimas dos oprimidos debaixo das pontes mais caras do país.
Um povo estranhamente moreno, cultuado, cultural no sentido lato da palavra. Somos tão temperais. É do feitio mais puro não aceitar tudo, todos, quanto, como e por quês.
Brasilienses triviais que espantam e afastam turistas tão interessados na arquitetura de nossa gente, de nossa mente e nossas praças.
É porque nós sempre fomos ensinados a odiar quando dizem que Brasília é a culpa de tudo que é ruim por aí e que, por aqui, não existem esquinas. Essas certezas sem embasamento teórico, prático e espiritual bem que poderiam sem efêmeras. E nós, candanguinhos por opção, ou não, só queremos o público, o concurso, a dita vida mole e a continuação dos descaramentos político, econômico e não-social que aqui se instalaram.

Um comentário:

Julia Menezes disse...

Nós, brasilienses de coração ou de corpo, temos que enfrentar essa secura e as novas plantações de cimento sem reclamar. Pelo menos vivemos em condições boas e temos a quem amar.