terça-feira, 18 de setembro de 2007

A lembrança

Rápidos oito anos já se passaram feito chuva pesada e destruidora. Eu me lembro muito bem: estávamos eu, meu irmão, minha avó e minha mãe sentados na mesa da sala jogando uma partida de buraco (naquele tempo minha avó adorava se distrair com as cartas e, para não deixá-la constantemente entediada, fazíamos esse agrado semanal). Meu avô, por sua vez, alcoólatra por definição e pouco companheiro, chegava do bar e se trancava em seu quarto para não ser interrompido enquanto assistia às suas novelas preferidas. Então, como sempre foi de costume, a porta dele estava bem fechada. Após o fim da primeira partida, minha avó foi chamá-lo para comer. Ao abrir a porta do quarto o viu caído no chão, imóvel, incosciente. Foi um desespero e uma correria imensa até a chegada do Corpo de Bombeiros. Depois de passar quase duas semanas no Hospital de Base respirando com ajuda de aparelhos, ele faleceu em um dia de data igual ao de hoje.
Ele sempre fez falta, embora não falemos muito na perda.
Hoje, com a lembrança mais singela e bonita, oramos com a mesma intensidade da primeira vez.
Eu me recordo das suas frases com alegria e lição de vida.
Eras tu, vovô, um homem íntegro e honesto como jamais pude conhecer igual.

Um comentário:

Julia Menezes disse...

O bom é que a saudade é bonita e composta de lembranças muito boas. Naturalmente é preciso aceitar determinadas leis que escapam do teu domínio. Você é rei no que te cabe, meu bem.