
Para não tornar o meu dia de domingo tão tépido, resolvi me embriagar de samba. Já no final da tarde, com o sol baixo e a temperatura mais amena, fui até aquela roda de samba de uma das entrequadras da Asa Sul.
Ao chegar, observei os arredores e me prendi numa parte da calçada, de frente para a mesa na qual o pessoal desenvolvia a levada musical. Muito menos inibido do que das outras vezes, logo me aproximei e me coloquei a cantar.
Eu tenho intimidade, de fato, com os instrumentos de corda, tais como violão, banjo e cavaquinho. Em contra partida, ligeiramente me apossei de um chocalho que estava esquecido em cima da mesa amarela que comportava, ainda, copos e garrafas de cerveja. A essa altura, ao notarem que levava jeito para a coisa, me cederam uma cadeira e, finalmente, me incluí na roda.
Não me deixavam parar de cantar um minuto sequer, até porque os sambas tocados me enchiam de emoção e entusiasmo. Eram canções antigas, daquelas dignas de uma verdadeira reunião de sambistas. Relembramos compositores imortais, como Cartola, Nelson Cavaquinho, Noel Rosa, Silas de Oliveira e companhia, além de alguns nomes atuais, como Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Grupo Fundo de Quintal, Jorge Aragão, Nelson Sargento, Paulinho da Viola, Arlindo Cruz...
O tempo passou como vendaval e, por fim, me senti feliz no final de semana. Estive tão a vontade que até puxei canções que, como Exaltação à Mangueira, de Enéas Brites da Silva e Aloísio Augusto da Costa, arrancaram aplausos fervorosos dos que estavam presentes e emocionaram de verdade.
O samba, estilo musical de origem africana, é a prova viva de que a alegria pode ser encontrada na esquina mais próxima, mesmo que só perdure por algumas horas imperceptíveis.
Que descomunal, até me perguntaram se eu era vocalista.
Quem foi que falou que eu não sou um moleque atrevido?!
E é lógico que samba é muito diferente de pagode.
Batuque é um privilégio.
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