
No ponto de ônibus todas as pessoas sentam no mesmo banco e olham para um só lado, aquele que dá sentido à via por onde passam os veículos. Entrando no ônibus, pessoas já estão sentadas. Dessa vez, em bancos duplos, não tão grandes como o anterior. O cobrador é sempre muito centrado. Não sei por quê, mas, esse tipo de profissional adora ficar contando o dinheiro, mesmo já sabendo quanto tem ali. De uma forma ou de outra, eles são organizados. As cédulas estão sempre em ordem e a posição do monte é contínua. Isso deve facilitar o trabalho.
Bom, ele te encara e mostra-se numa imagem nula e tu passas pela roleta! Nessa hora, algo acontece: todos focam o olhar para você. Pronto! Sua missão é procurar uma cadeira vaga, longe do sol. Não há nada livre do lado direito, onde a sombra repousa. O que fazer? Sentar com alguém?! Não, é melhor acomodar-se sozinho, do lado esquerdo, onde o sol, aos poucos, te derrete!
Bom, ele te encara e mostra-se numa imagem nula e tu passas pela roleta! Nessa hora, algo acontece: todos focam o olhar para você. Pronto! Sua missão é procurar uma cadeira vaga, longe do sol. Não há nada livre do lado direito, onde a sombra repousa. O que fazer? Sentar com alguém?! Não, é melhor acomodar-se sozinho, do lado esquerdo, onde o sol, aos poucos, te derrete!
A viagem prossegue e mais pessoas entram por aquela mesma porta barulhenta e suja! Agora, os que adentram sofrem o mesmo jogo de olhar que você sofreu.
Pois bem, quase todos os bancos estão ocupados e, sem dúvida, com somente uma pessoa. É nessa hora que tudo parece mudar. Os indivíduos começam a sentar em dupla. Isso dói, machuca, é o fim! Além do mais, se bem repararmos, as mulheres são as que mais recebem um parceiro de lado, talvez, por homens preferirem sentar com pessoas do sexo oposto ou, até mesmo, quando mulheres, por acharem que as pessoas do sexo feminino transmitem mais "segurança". Algo mais é notável: mendigos, cegos, deficientes em geral, negros e pessoas com fone de ouvido são os últimos a estarem com mais alguém, quando não permanecem só. Ainda existem aqueles que preferem ficar em pé a dividir uma cadeira com um desconhecido!
Aquele local é fétido, pútrido.
Esse mesmo local é o transporte mais utilizado pelos brasileiros. Ali, amigos se encontram ao acaso, pessoas dividem suas dores, outros vendem doce e imploram por uma ajuda, alguns disfarçam e, incrivelmente, o cobrador é o mesmo boneco estático!
Está na hora de descer! Você pede licença ao companheiro de lado. Uns levantam e cedem passagem, outros somente recolhem a perna e ainda existem alguns que permanecem intocáveis. Essa é a segunda hora do "olhar em foco". Todas as pessoas que estão acomodadas do seu perímetro para trás, imediatamente, se viram para você.
Ao descer, ainda acontece outro fenômeno: os que permaneceram lá dentro esfregam o rosto na janela empoeirada só pra te visualizarem andar, já fora do automóvel.
Por fim, você respira a fumaça preta do escapamento do ônibus.
Pronto, mais um dia se foi e as coisas dentro do bonde popular são as mesmas.
Enfim, será que o individualismo é natural da raça humana?
O fato é que, para mim, o exemplo do transporte urbano é a maior prova de que nós, seres humanos, somos individualistas, secos, frios.
Sim, é raro alguém entrar e logo sentar-se ao lado de outro alguém, mesmo que os outros 30 assentos estejam livres!
Sim, eu uso fone de ouvido.
Pois bem, quase todos os bancos estão ocupados e, sem dúvida, com somente uma pessoa. É nessa hora que tudo parece mudar. Os indivíduos começam a sentar em dupla. Isso dói, machuca, é o fim! Além do mais, se bem repararmos, as mulheres são as que mais recebem um parceiro de lado, talvez, por homens preferirem sentar com pessoas do sexo oposto ou, até mesmo, quando mulheres, por acharem que as pessoas do sexo feminino transmitem mais "segurança". Algo mais é notável: mendigos, cegos, deficientes em geral, negros e pessoas com fone de ouvido são os últimos a estarem com mais alguém, quando não permanecem só. Ainda existem aqueles que preferem ficar em pé a dividir uma cadeira com um desconhecido!
Aquele local é fétido, pútrido.
Esse mesmo local é o transporte mais utilizado pelos brasileiros. Ali, amigos se encontram ao acaso, pessoas dividem suas dores, outros vendem doce e imploram por uma ajuda, alguns disfarçam e, incrivelmente, o cobrador é o mesmo boneco estático!
Está na hora de descer! Você pede licença ao companheiro de lado. Uns levantam e cedem passagem, outros somente recolhem a perna e ainda existem alguns que permanecem intocáveis. Essa é a segunda hora do "olhar em foco". Todas as pessoas que estão acomodadas do seu perímetro para trás, imediatamente, se viram para você.
Ao descer, ainda acontece outro fenômeno: os que permaneceram lá dentro esfregam o rosto na janela empoeirada só pra te visualizarem andar, já fora do automóvel.
Por fim, você respira a fumaça preta do escapamento do ônibus.
Pronto, mais um dia se foi e as coisas dentro do bonde popular são as mesmas.
Enfim, será que o individualismo é natural da raça humana?
O fato é que, para mim, o exemplo do transporte urbano é a maior prova de que nós, seres humanos, somos individualistas, secos, frios.
Sim, é raro alguém entrar e logo sentar-se ao lado de outro alguém, mesmo que os outros 30 assentos estejam livres!
Sim, eu uso fone de ouvido.
Um comentário:
Texto muito bem escrito, Caio... Minha percepção seria outra eu acho. Talvez (pq há muito já possuo o meu carro) poderia ver na mesma situação só poesia...
Gostei do blog. Volto mais vezes.
Um beijo.
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