sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Novos horizontes


A pureza de um álbum de estilo musical indefinido é evidenciada no primoroso conjunto de canções de NOVOS HORIZONTES, mais novo disco da banda gaúcha Engenheiros do Hawaii.

O destemor de gravar com a participação entusiasmada do público gera, aos ouvidos sentimentais e atentos, o valor mais distinto de uma canção: a visita às esquinas por pouco esquecidas e temidas do nosso coração. O grito, a euforia e a purificação da platéia são parte do conjunto de vozes que soam quase como hino da primeira a última faixa do disco.

Gravado em duas apresentações no Citibank Hall, em São Paulo, o show foi um misto de acústico com rock’n roll tipicamente brasileiro, com pitadas instrumentais de idéias caipiras e gingado sulista. Os músicos Fernando Aranha, Bernardo Fonseca, Gláucio Ayala, Pedro Augusto e Humberto Gessinger, além de Clara Gessinger e Carlos Maltz, participações especiais, fizeram daquele instante compartilhado em dois dias um singular retrato da história da banda.

O repertório, por sua vez, apresenta variações significativas no que se refere à composição e forma de apresentação das canções. As músicas antigas ecoaram como convite para novas atrações capazes de tocar aquelas mesmas esquinas citadas no início, até porque se fosse fácil achar o caminho das pedras, tantas pedras no caminho não seria ruim e, de fato, é bem possível chegar ao mesmo lugar usando caminhos diferentes. De toda sorte, as inéditas (Vertical; No meio de tudo, você; Luz; Cinza; Guantánamo; Quebra-cabeça; Não consigo odiar ninguém; Faz de conta e Coração blindado), não tão inéditas assim, tendo em vista que anteriormente já haviam sido disponibilizadas no site da banda, deram aos ouvintes as sensações internas mais simples e totalmente revestidas de poesia, instigaram o senso crítico e revelaram o que hoje em dia chamam de amor.

Ainda, para brindar os novos horizontes, o público poderá conferir as apresentações por intermédio da um DVD que contém entrevistas, making of e vídeos caseiros de algumas das músicas “quase inéditas”.

Contudo, como em um verso de “Duas noites no deserto”, só a mudança é permanente e, de repente, tudo está no seu lugar.

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