quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Podemos chamar de "amores febris"

Amores febris são como pássaros voando, sempre passam. Uma doença até saudável, que deve instigar o desejo de posse e faz brotar a autonomia mais severa do ser humano, aquela que te resiste ao outro e não a si próprio.

É um amor sentido através de um espelho, como se o reflexo do eu, de tanto ameaçar o ele/ela, voltasse com mais força e derrubasse quem sofre, sente e dói. É um amor daqueles sem cura, com o tipo de tratamento ainda em estudo no laboratório do coração, capaz de ferir o ego, camuflar a índole familiar. É loucura, enfim. E quem ama assim adora ser louco.

Tudo bem, talvez o meu exagero constante tenha feito desse amor o codinome "doença", mas quem se importa? O machucado é sempre latente e deixa a pele em carne viva, exposta aos arrepios sem dor. Quem ama assim parece confundir a verdadeira definição do dicionário (viva afeição que nos impele para o objeto dos nossos desejos; inclinação da alma e do coração; objeto da nossa afeição; paixão; afeto) com algum outro sentimento que eu, modesta e romanticamente, não sei dizer o nome.

A paz, nesse caso, é um momento de apito final... Tranquilidade, fim de jogo, liberdade e quem sabe ânimo para a próxima partida. Aliás, nem Freud como árbitro conseguiria pôr fim numa disputa assim, afinal, ninguém sai vencedor.



2 comentários:

Julia Menezes disse...

Se amor for doença, ele dura pouco.
Prefiro um amor mais profundo e sadio.

Luiza Callafange disse...

Concordo com dona Julia.
O amor febril pode ser tão maravilhoso como o céu...Mas também tão sombrio como a própria escuridão, é a verdadeira definição de amor platônico, aquele que passamos a ver mais o outro do que a nós mesmos, como se só o outro existisse e a nossa própria existência já não importasse mais...